Pra Viagem


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11 de setembro.

Um dia, talvez, histórico. Não para mim. Continuo frágil, caindo pelos cantos, me embebedando de suor, de cansaço, de frieza. Minhas palavras continuam frias, cansadas, suadas. Nada em meus olhos traduz sentimento. Emoção. A grande sacada é olhar por dentro, sentir o que se sente, ouvir o que se diz. Silêncio? Não mereço. Mais do que sons, eu quero imagens, eu quero ver, eu quero olhar, eu quero que se faça verdadeiro aquilo que nunca se viu antes. Malditas miragens. Se eu soubesse o quanto me esqueço, esqueceria ainda mais. Estéril. Íngreme. Essa descida desenfreada rumo à perfeição me traz cada vez mais próxima ao que não sou. Mas ser o que não sou é tão importante quanto ser quem eu sempre fui. Nenhum dos dois é válido para alcançarmos o que viemos fazer por aqui. Aproximei-me mais de mim ao tomar em um gole só todo esse desejo de viajar, exagerar, aventurar. O centauro que cavalga, que tem instintos primitivos, mas que, ainda assim, pensa. Não deixa de pensar nunca. Olha para todos os lados, tem a sabedoria das estrelas, o conhecimento das constelações. O centauro que me leva até o infinito. Até, talvez, Santa Catarina.

Louise Emille | devaneios (0)



10 de agosto.

Talvez seja a hora do ponto final.

Louise Emille | devaneios (0)



27 de maio.

Como diz a música, "maio já está no final". E continua parecendo que alguma coisa ainda não fez sentido. Penso se são meus pensamentos, meu olhar para frente, meu olhar para trás, meu entendimento das situações... Quando penso que estou resolvida com o que quero, percebo que nunca soube o que queria. A racionalidade me faz sentir. As emoções me fazem pensar. Giro, giro, rodo em torno de mim mesma, como se fosse o eixo de tudo. Quando tento parar, a gravidade não deixa, me faz cair e eu rodo, rodo até não enxergar mais nada. E quando fecho os olhos, vejo meus pensamentos girando, girando até eu não suportá-los, por serem fortes, por serem muitos, por serem cruéis. Comigo. Com o outro. Com ele. Com todos nós. Porque quem pensa muito, acaba sentindo. E quem sente, nem sempre consegue escapar. E eu continuo aqui, como diz a música, "sob a mesma condição... distraindo a verdade, enganando o coração". Ou seria o contrário?

Louise Emille | devaneios (0)



13 de maio.

Porque tem dias que a gente pensa que, ao se aproximar do início, a gente só quer o fim. E as palavras somem, tudo parece voltar, como se nunca tivesse ido, como se nunca tivesse deixado de doer. E dói de novo, mais uma vez, e você fica confusa, perdida, sem rumo. Você pensa no fim. Sabe que não basta um sentimento alimentar outro. Precisa energia, precisa troca, precisa certeza. E, quando você sabe que tem certeza do que quer, percebe que ninguém sabe o que realmente quer.

Louise Emille | devaneios (0)



9 de maio.

Não que a gente não tenha direito de ficar sem saco de vez em quando, mas acho que não estou no direito de, mais uma vez, me encher de tudo. Afinal, faz tão pouco tempo que tirei férias da vida. Voltei há duas semanas e nem tudo é igual. O tempo não parou como nos filmes. Talvez tenha sido apertada a tecla stop. Tudo apagou. De repente, não tinha mais nada. A memória dos dias passados se esvaiu como fumaça de cigarro. Eu me perdi no meio de tudo, no meio das folhas do outono, dos ventos frios que anunciam o inverno. No meio do sono, abri os olhos e vi um filme passar.
Nunca saímos ilesos de uma crise. Mas ainda não sei quais dessas conseqüências são permanentes.

Louise Emille | devaneios (0)



6 de maio.

O tempo passou, mas para mim, pulou. Parte da vida me foi arrancada, de um jeito que nem sei direito como... "Não poder voltar atrás". Foi o fim, mas de repente, nasceu de novo. Apareceram novas formas, novas maneiras de se viver. Perderam-se muitas coisas pelo caminho. Oportunidades de vencer. Vontades de morrer. Dias e mais dias que nem sei como se passaram. Que nem sei como aconteceram. Palavras de raiva, de morte, de dor. Muita dor. Os dias passaram, o calendário do metrô tem me avisado. De janeiro, pulei para maio, mas ainda me sinto como no Carnaval. Exceto pelo frio que entra pelos meus poros. Tanta dor...

Louise Emille | devaneios (0)



22 de janeiro.

A gente sabe quando está chegando o fim. Por que todo mundo insiste em dizer que tudo precisa ter um começo? Por que não posso insistir que tudo tem um fim? Tudo isso dói, é claro. A perda é a maior das dores. Quando é perdido, acreditamos que é a vida. Mas quando perdemos, não há quem nos convença de que não temos culpa. A dor é insuportável. Quero ir longe, estar distante, ter a certeza de que não vou conseguir voltar atrás. Não poder voltar atrás. Essa luz que me persegue. Essa voz que me persegue. Essa dor que me persegue. Esse fim que me persegue. Esse fim. Me persegue. Esse fim que me. Persegue. Persegue. Esse fim.

Louise Emille | devaneios (0)



3 de janeiro

Quinta-feira. Você anda pelo mundo, presta atenção em cores que não sabe o nome, mas quando percebe, tudo o que quer é voltar para casa, para o seu lar, mesmo que não tenha tecnicamente um. O seu canto. É tudo o que você quer. E quando se dá conta, passou, você está odiando de novo aquilo que deveria mais amar, o “Lar do Silar”. O sistema tá fora do ar, você tá fora do ar, o mundo tá fora do ar. Seu sorriso de melancia esconde a água salgada que caiu dos teus olhos quando os fogos de artifício começaram a pular de alegria. Contradição. Todo mundo e ninguém ao mesmo tempo. Forçando a corda até arrebentar: ela ou você. Agora é pra valer. Um pouco de silêncio e um copo de água pura.

Louise Emille | devaneios (1)



16 de dezembro

Domingo. Tudo passa, o mundo gira, o mundo passa, tudo gira. Voltas e mais voltas, chegando ao mesmo lugar. Sem sair do lugar. Tudo é em vão. Tudo. Nada. E você fica puta, mas não pode fazer nada. Porque tudo o que você quer vai contra seus princípios. Dá vontade de bater, de socar, de fazer sofrer tudo o que merece. O simples andar pela casa. O simples falar com alguém. Mas tudo passa, o mundo gira, o mundo passa, tudo gira. E você vai deixando pra depois. E você vai ficando pra depois.

Louise Emille | devaneios (0)



30 de novembro.

Sexta-feira. Aí você passa mal. Você pede pra parar, mas não adiantou. Continua sentindo-se a pior pessoa do mundo. A mais cruel. A mais vil. Você pede ajuda, você chora, você sente a chuva bater no seu rosto, você treme de um frio que vem de dentro. Você implora para ir embora. Daqui. Da cidade. Do mundo. Mas ninguém te ouve. Ninguém ouve seu pranto baixinho na calada da noite. Ninguém faz questão de ouvir seus berros no meio da rua. E tudo se acaba. Com possibilidade de recomeço. Mas, enquanto isso, dói.

Louise Emille | devaneios (2)



24 de novembro

Sábado. Mais um fim de semana que termina o mês. Mais uma vez que penso em desistir. Mas ela sabe muito bem o que quer. E tudo torna-se um uroborus constante, sem início nem fim, que torna tudo muito mais complexo e, paradoxalmente, ao mesmo tempo, tudo mais simples. É quando você olha para o céu, mas vê o chão, olha para o chão e vê o abismo, olha para a frente e só vê tudo o que já passou. É quando você pensa que tudo está bem. E quando chega o fim da noite, vê que tudo continua como sempre esteve. E só pede para que tudo fique bem. E tudo o que poderia ficar bem começa a se resolver, magicamente, como se nunca tivesse estado ruim. E você se anima para continuar, cada vez, em frente, empurrando tudo o que te mantém parada, esquecendo-se de que existe um fim. Porque o sempre não existe, mas podemos perpetuar algumas coisas.

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22 de novembro

Quinta-feira. O mundo parece ruir, os sons se tornam estranhos aos meus ouvidos. Tudo parece se destruir enquanto me desfaço aos poucos, torno-me pó. A falta de estrelas no céu demonstra como podemos morrer sem sermos notados. Tudo se torna pó. Os sons vêm e vão, mais vão do que vêm. As palavras não fazem sentido, a dor já nem é tão forte, a vergonha de minhas lágrimas é a única desculpa para não chorar. Todos correm, se empenham, fazem questão de morrer com dignidade. Isso já não é mais meu objetivo. Torno-me vazia, e vazia morro. De uma maneira que ninguém pode imaginar.

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12 de novembro


Segunda-feira. Segunda-feira. Como se todos os dias fossem segunda-feira. Como se neste lugar tudo se tornasse segundas-feiras. Porque tudo é segunda-feira. Tudo se torna tudo o que não queria ter se tornado, porque é assim que é. E o que poderia ter se formado não se torna parte daquilo tudo o que poderia ter sido. E os pontos finais se cruzam, tornam-se iguais, tornam-se todos iguais e desiguais, semelhança e diferença, tão parecidos. Você ouve seu nome, mas não é você que chamam. Você ouve, de novo, mais uma vez. Eles te olham, zombando da tua cara, como se você tivesse nascido com um "trouxa" escrito na cara. E tudo o que você quer é fugir daqui. Ir para qualquer lugar. E tudo no que você pensa é isso. O fim.

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29 de outubro

Segunda-feira. Mais uma. E você pensa o que é que está valendo a pena em tudo isso. No meio de tudo isso. Sim, você sabe que há muita coisa valendo a pena, muitos beijos e muitas festas esperando por você quando chega o fim de semana. Mas festas são dispensáveis. Os beijos, não. E você se sente pequena no meio de tudo. Não pequena de tamanho, mas seu ser se torna pequeno. Apesar de nada ser definitivo, talvez seja isso que te dá medo. Já dizia Elegias de Buckow, "se fôssemos infinitos, tudo mudaria. Como somos finitos, muito permanece". É nessas horas que você tem vontade de paralisar tudo, só para ficar com determinadas coisas como estão. Você tem vontade de congelar o seu sentimento para que ele nunca termine, de tão perfeito, de tão gostoso, de tão feliz. É quando você mente para fingir que está triste, mente para fingir que está feliz e, de verdade, nem sabe mais o que é que você está de verdade. Você chora, você ri, tudo ao mesmo tempo, e se perde nisso tudo. É quando você se perde.

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25 de outubro

Quinta-feira.
É quando você pensa que tudo vale a pena, mas vê que nem tudo, nem tudo. Está por perto, mas passa como um fantasma. Lê tudo o que escrevem destinado a você, mas nota que foi escrito a tantas outras pessoas. A mesma coisa. As mesmas palavras, as mesmas sugestões, as mesmas vontades. Você passa como um fantasma em lugares onde gostaria de se destacar, e se destaca em lugares onde gostaria de fingir que nem existe. Você aumenta o volume porque aumentaram o volume. E quando a potência não agüenta mais, você abaixa e coloca o fone de ouvido. E quando ele chega, ela abaixa o som, como se não percebesse a imaturidade que existe em seu peito. Em seu coração. E você fica ainda mais triste, por saber que mudou, está mudando, vai continuar a mudar, e ela continua simplesmente igual. Você tem por ela cada vez mais repúdio, e indiferença. Porque sabe que nada é maior do que você se colocar no seu próprio lugar. Mesmo que ela não acredite nisso. Mesmo que você, no fundo, também não acredite. Talvez, você vá ter que morrer pedindo desculpas simplesmente por ser quem você é. Talvez seja seu destino. Seu pré-destino.

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19 de julho

Quinta-feira. Cruzando o rio atrás de água, notei que descobri um oceano. No início, fingi que não estava nem aí, mas há mais de mil destinos em cada esquina. 10.000 destinos. E o nosso. Um destino se cruzando na esquina da vida, nell'angolo della via principale. Qualcosa in comune con la vita è la verità ci bagnando d'amore. E você resolve pôr em prática seus planos de uma vida feliz e descobre que é possível. Antigamente, acordava sorrindo e dormia chorando, mas agora não. Acorda e dorme sorrindo, porque tem por que sorrir. Por quem sorrir. E por mais estranho que seja, você consegue ser positivo de uma forma que nunca imaginou que seria e é feliz simplesmente por isso. E porque sabe que, quando chegar lá, vai poder morrer feliz. Se eu morresse hoje, morreria feliz, mas não realizada. A Itália ainda me espera. Santa Catarina também. Os palcos dos melhores teatros do Brasil esperam pela garota que ama o Teatro de verdade. Há pessoas esperando que eu as ajude com palavras amigas ou só as escute com carinho. Eu jamais seria realizada se não pudesse ajudar as pessoas de alguma forma. E fico feliz por saber que posso e que já ajudei algumas delas. Enfim, morrer não está mais nos meus planos como estava há algumas semanas. Quero viver essa vida de verdade, porque aos 19 anos, tudo o que se tem são os seus 19 anos. E vale a pena aproveitar cada precioso segundo, mesmo que seja para escrever palavras que muitos não lerão!

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22 de outubro

Segunda-feira. A gente pára para olhar pela janela e percebe que o passado e o presente se confundem no reflexo. O ar abafado dá espaço à garoa fina. A chuva invade a madrugada. Meus olhos de lágrimas esquecem o que já foi. Choram pelo que é. Porque o que é é muito mais forte e coerente do que qualquer coisa que já tenha sido e do que qualquer coisa que vai ser. Porque tudo é agora. E eu olho pela janela e vejo o mundo, passeando, girando, rodando, pedindo passagem. Perguntando e respondendo, tudo ao mesmo tempo. É quando a gente percebe o que está perdendo ao fingir passar o tempo feliz. O quanto perdemos fingindo brincar de carpe diem, de perfeição, fingindo sorrir quando nem sabe o que está acontecendo. É quando pedimos perdão e continuamos cometendo pecados. Segunda-feira. É quando o mundo começa. Tudo de novo.

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18 de outubro

Quinta-feira. Pensei que hoje fosse quarta. Mas o calendário me avisou que o horário é de verão. E ainda estamos na primavera. Hoje conheci o lado mais pacífico e, ao mesmo tempo, mais selvagem de mim. Minha tranqüilidade diante dos fatos explodiu logo após. Chorei de nervoso, mas era tanto, que nem lágrimas caíram. Eu não estava triste. Estava nervosa. Com a situação, com as pessoas, com as circunstâncias, que poderiam ser outras se nos esforçássemos só um pouquinho. Mas todos estamos cansados para isso. Esgotamos nossa capacidade. De amar, de ser, de conversar, de entender. Eu não quero mais entender. Não tenho mais energia para gastar em entender como as coisas acontecem.

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16 de outubro

Terça-feira. Você percebe que está trabalhando demais quando aperta o 0 ao fazer uma ligação em casa. Ou quando precisa fazer um interurbano, disca 9 e fica esperando a telefonista te atender. Mas eu sei que tudo isso é a melhor coisa do mundo. E eu descobri que trabalhar é a melhor coisa do mundo. Porque quando a gente faz o que gosta, a gente é feliz. E é por isso que eu busco todo dia um pouquinho mais disso. E nem ligo de trabalhar de sábado, de feriado, até mais tarde, qualquer coisa. Se for pra ser feliz, eu quero que seja assim. E nem sou workaholic. Eu só sou feliz no que faço, e recomendo a todas as pessoas serem assim também. Porque não vale nada trabalhar, ganhar uma porrada de dinheiro, e não ser feliz oito horas por dia, cinco dias por semana, ou seja, uma enorme parte da sua vida.

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18 de julho

Quarta-feira. Podia ser 18 de dezembro. Pelo menos não estaria essa chuva lá fora e aqui dentro. Eu geralmente choro muito fácil. E faço sol também. Hoje ouvi Nenhum de Nós tocando Raul Seixas e Lulu Santos. Dá para acreditar? Fiquei chateada porque minha "banda" preferida não é uma banda, é um exército de um homem só. Eu gostaria de preferir outra banda, como Nenhum de Nós, juntos há 20 anos, mas não dá. Tem preferências que são inevitáveis. Então você olha de novo para trás e vê quanta coisa você perdeu. Queria ter nascido antes, como sempre. E vivido seus 19 anos em outra época, em outra era, em outro mundo. Porque vive agora um dia-a-dia cada vez mais absurdo. Você pensa que sabe em que dia isso foi escrito e que Julho de 83 é só um mês e um ano que já existiram. Mas é uma música. Assim como aquele astronauta que colocaram no meu hall de entrada. É quando você pensa que nada valeu a pena, mas valeu. Existem histórias e histórias a serem contadas, só esperando seu momento. Se as histórias esperam, por que nós não? E eu continuo aqui, a rosar, com mais do que felicidade. Há tragédias na tela da TV, um caos existente no ar. Uma chuva de containers atrapalhou o caos aéreo noir. E você interrompe. Quer saer mais sobre o mais perfeito caos. Não que vá ajudpa-lo em algo, mas o ajuda a saber que não foi sua hora. E um sentimento de certeza de que aind ahá muito para viver o invade. É melhor assim, sabemos. Quando o Universo conspira a seu favor, você só tem a agradecer pela nova chance. Uma nova chance de o impossível rolar. Paz e amor.

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