Pra Viagem


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10 de agosto.

Talvez seja a hora do ponto final.

Louise Emille | devaneios (0)



27 de maio.

Como diz a música, "maio já está no final". E continua parecendo que alguma coisa ainda não fez sentido. Penso se são meus pensamentos, meu olhar para frente, meu olhar para trás, meu entendimento das situações... Quando penso que estou resolvida com o que quero, percebo que nunca soube o que queria. A racionalidade me faz sentir. As emoções me fazem pensar. Giro, giro, rodo em torno de mim mesma, como se fosse o eixo de tudo. Quando tento parar, a gravidade não deixa, me faz cair e eu rodo, rodo até não enxergar mais nada. E quando fecho os olhos, vejo meus pensamentos girando, girando até eu não suportá-los, por serem fortes, por serem muitos, por serem cruéis. Comigo. Com o outro. Com ele. Com todos nós. Porque quem pensa muito, acaba sentindo. E quem sente, nem sempre consegue escapar. E eu continuo aqui, como diz a música, "sob a mesma condição... distraindo a verdade, enganando o coração". Ou seria o contrário?

Louise Emille | devaneios (0)



13 de maio.

Porque tem dias que a gente pensa que, ao se aproximar do início, a gente só quer o fim. E as palavras somem, tudo parece voltar, como se nunca tivesse ido, como se nunca tivesse deixado de doer. E dói de novo, mais uma vez, e você fica confusa, perdida, sem rumo. Você pensa no fim. Sabe que não basta um sentimento alimentar outro. Precisa energia, precisa troca, precisa certeza. E, quando você sabe que tem certeza do que quer, percebe que ninguém sabe o que realmente quer.

Louise Emille | devaneios (0)



9 de maio.

Não que a gente não tenha direito de ficar sem saco de vez em quando, mas acho que não estou no direito de, mais uma vez, me encher de tudo. Afinal, faz tão pouco tempo que tirei férias da vida. Voltei há duas semanas e nem tudo é igual. O tempo não parou como nos filmes. Talvez tenha sido apertada a tecla stop. Tudo apagou. De repente, não tinha mais nada. A memória dos dias passados se esvaiu como fumaça de cigarro. Eu me perdi no meio de tudo, no meio das folhas do outono, dos ventos frios que anunciam o inverno. No meio do sono, abri os olhos e vi um filme passar.
Nunca saímos ilesos de uma crise. Mas ainda não sei quais dessas conseqüências são permanentes.

Louise Emille | devaneios (0)



6 de maio.

O tempo passou, mas para mim, pulou. Parte da vida me foi arrancada, de um jeito que nem sei direito como... "Não poder voltar atrás". Foi o fim, mas de repente, nasceu de novo. Apareceram novas formas, novas maneiras de se viver. Perderam-se muitas coisas pelo caminho. Oportunidades de vencer. Vontades de morrer. Dias e mais dias que nem sei como se passaram. Que nem sei como aconteceram. Palavras de raiva, de morte, de dor. Muita dor. Os dias passaram, o calendário do metrô tem me avisado. De janeiro, pulei para maio, mas ainda me sinto como no Carnaval. Exceto pelo frio que entra pelos meus poros. Tanta dor...

Louise Emille | devaneios (0)



22 de janeiro.

A gente sabe quando está chegando o fim. Por que todo mundo insiste em dizer que tudo precisa ter um começo? Por que não posso insistir que tudo tem um fim? Tudo isso dói, é claro. A perda é a maior das dores. Quando é perdido, acreditamos que é a vida. Mas quando perdemos, não há quem nos convença de que não temos culpa. A dor é insuportável. Quero ir longe, estar distante, ter a certeza de que não vou conseguir voltar atrás. Não poder voltar atrás. Essa luz que me persegue. Essa voz que me persegue. Essa dor que me persegue. Esse fim que me persegue. Esse fim. Me persegue. Esse fim que me. Persegue. Persegue. Esse fim.

Louise Emille | devaneios (0)



3 de janeiro

Quinta-feira. Você anda pelo mundo, presta atenção em cores que não sabe o nome, mas quando percebe, tudo o que quer é voltar para casa, para o seu lar, mesmo que não tenha tecnicamente um. O seu canto. É tudo o que você quer. E quando se dá conta, passou, você está odiando de novo aquilo que deveria mais amar, o “Lar do Silar”. O sistema tá fora do ar, você tá fora do ar, o mundo tá fora do ar. Seu sorriso de melancia esconde a água salgada que caiu dos teus olhos quando os fogos de artifício começaram a pular de alegria. Contradição. Todo mundo e ninguém ao mesmo tempo. Forçando a corda até arrebentar: ela ou você. Agora é pra valer. Um pouco de silêncio e um copo de água pura.

Louise Emille | devaneios (1)



16 de dezembro

Domingo. Tudo passa, o mundo gira, o mundo passa, tudo gira. Voltas e mais voltas, chegando ao mesmo lugar. Sem sair do lugar. Tudo é em vão. Tudo. Nada. E você fica puta, mas não pode fazer nada. Porque tudo o que você quer vai contra seus princípios. Dá vontade de bater, de socar, de fazer sofrer tudo o que merece. O simples andar pela casa. O simples falar com alguém. Mas tudo passa, o mundo gira, o mundo passa, tudo gira. E você vai deixando pra depois. E você vai ficando pra depois.

Louise Emille | devaneios (0)



30 de novembro.

Sexta-feira. Aí você passa mal. Você pede pra parar, mas não adiantou. Continua sentindo-se a pior pessoa do mundo. A mais cruel. A mais vil. Você pede ajuda, você chora, você sente a chuva bater no seu rosto, você treme de um frio que vem de dentro. Você implora para ir embora. Daqui. Da cidade. Do mundo. Mas ninguém te ouve. Ninguém ouve seu pranto baixinho na calada da noite. Ninguém faz questão de ouvir seus berros no meio da rua. E tudo se acaba. Com possibilidade de recomeço. Mas, enquanto isso, dói.

Louise Emille | devaneios (2)



24 de novembro

Sábado. Mais um fim de semana que termina o mês. Mais uma vez que penso em desistir. Mas ela sabe muito bem o que quer. E tudo torna-se um uroborus constante, sem início nem fim, que torna tudo muito mais complexo e, paradoxalmente, ao mesmo tempo, tudo mais simples. É quando você olha para o céu, mas vê o chão, olha para o chão e vê o abismo, olha para a frente e só vê tudo o que já passou. É quando você pensa que tudo está bem. E quando chega o fim da noite, vê que tudo continua como sempre esteve. E só pede para que tudo fique bem. E tudo o que poderia ficar bem começa a se resolver, magicamente, como se nunca tivesse estado ruim. E você se anima para continuar, cada vez, em frente, empurrando tudo o que te mantém parada, esquecendo-se de que existe um fim. Porque o sempre não existe, mas podemos perpetuar algumas coisas.

Louise Emille | devaneios (0)

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